Proibição de bets no futebol pode gerar prejuízo de R$ 842 mi para clubes
Por Pedro Gil
Fonte: Revista Veja
Após passar pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal, a
proposta que muda a Lei das Apostas Esportivas e proíbe a publicidade do
segmento de betting em todo território nacional, incluindo a propaganda
realizada pelas empresas de apostas para os clubes do futebol brasileiro, segue
para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso a medida entre em
vigor, o prejuízo deve ultrapassar a casa dos R$ 842 milhões na Série A do
Campeonato Brasileiro.
Atualmente, 60% dos times presentes na elite do principal torneio do futebol
nacional contam com patrocínios de empresas do setor de betting: Flamengo
(Betano), Fluminense (Superbet), Botafogo (Vbet), Palmeiras (SportingBet),
Corinthians (Esportes da Sorte), São Paulo (Superbet), Red Bull Bragantino
(Betfast), Chapecoense (ZeroUm), Cruzeiro (Betnacional), Atlético (H2Bet), Vitória
(7K Bet) e Remo (Vaidebet). “O que deve ser reprimido é o anúncio abusivo e,
principalmente, o realizado pelas empresas clandestinas”, explica Bernardo
Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL e sócio do Betlaw, escritório de
advocacia especializado no setor de jogos.
Em 2025, dezenas de clubes do futebol brasileiro emitiram um manifesto
afirmando que a proibição da publicidade das bets poderia causar um colapso
financeiro na indústria esportiva e uma perda anual imediata de R$ 1,6 bilhão em
receitas. A proposta visa proibir, em todo o país, publicidade em televisão, rádio,
revistas, jornais e redes sociais. Além do ambiente esportivo, a vedação alcança
também eventos, programas de TV e transmissões esportivas, além da préinstalação
de aplicativos de apostas em celulares, tablets e smart TVs. Nickolas
Tadeu Ribeiro de Campos, fundador e presidente do conselho da Ana Gaming,
holding das marcas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet, explica sobre o tema: “Regras
claras e proporcionais são importantes para proteger o público e consolidar um
mercado transparente e sustentável para todos os envolvidos”.