PF faz buscas em banco na Paulista sob suspeita de ‘facilitar’ lavagem de R$ 25 bilhões de facções
Por Fausto Macedo e Marcelo Godoy
Fonte: O Estadão
A Polícia Federal deflagrou em São Paulo, nesta quarta, 25, a Operação Cliente
Fantasma, com o objetivo de aprofundar investigação sobre a atuação de uma
instituição financeira na facilitação da lavagem de dinheiro de mais de R$ 25
bilhões, incluindo recursos provenientes das maiores organizações criminosas do
Brasil. O banco alvo da investigação é o BMP (antiga BMP Money Plus), localizado
na Avenida Paulista. A PF faz buscas no banco e nos endereços do presidente da
instituição e do chefe do setor de compliance.
A BMP informou que ‘está colaborando integralmente com as autoridades e
prestando todos os esclarecimentos necessários, fornecendo todas as
informações sobre as operações antigas de ex-clientes que foram objeto de
apuração. A companhia segue com a operação dos seus produtos normalmente’.
O BMP foi uma das vítimas de um ataque hacker ocorrido em julho do ano
passado em São Paulo e perdeu R$ 540 milhões de uma só vez. O golpe atingiu
a C&M Software por meio do emprego de senhas e credenciais de clientes. A
Polícia Civil paulista classificou a trama como furto por meio de operações
fraudulentas via PIX.
BMP não é um banco tradicional de varejo. É uma instituição que atua como
Banking as a Service (BaaS), em parceria com outras instituições para oferta de
produtos financeiros e com um braço no mercado de crédito.
Segundo a PF, as apurações apontam que a instituição, embora regularmente
autorizada a operar pelo Banco Central, deixava de informar a identificação de
seus clientes ao órgão regulador, em desacordo com a Resolução 179/2022 e
outras normas de prevenção à lavagem de dinheiro.
Essa omissão permitia que os clientes permanecessem ‘blindados’ contra quebras
de sigilo bancário e de bloqueios judiciais, dificultando a repressão a atividades
ilícitas.
O inquérito da PF destaca que também foi constatado que o BMP ‘não realizava
as comunicações obrigatórias de operações suspeitas ao Conselho de Controle
de Atividades Financeiras (COAF)’ - o que teria contribuído para a ocultação e
dissimulação da origem ilícita de valores movimentados.
Nesta fase da operação, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão
na sede da instituição financeira e nos endereços do presidente da empresa e do
responsável pelo setor de compliance.
As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta de
instituição financeira, omissão de informações ao órgão regulador e lavagem de
capitais.
A Cliente Fantasma é um desdobramento da Operação Alcaçaria, deflagrada em
2024 pela PF, quando foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão e 13
mandados de prisão.
Também houve compartilhamento de provas da Operação TaiPan, igualmente
deflagrada em 2024 pela PF, que resultou no cumprimento de 38 mandados de
busca e 16 mandados de prisão. Ambas as ações integram investigações voltadas
ao combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.
O nome ‘Cliente Fantasma’, segundo a PF, faz referência à prática adotada pela
instituição financeira investigada, que mantinha contas e movimentações sem a
devida identificação dos titulares perante o Banco Central.
“Na prática, esses usuários permaneciam ‘invisíveis’ aos órgãos de controle,
funcionando como verdadeiros fantasmas dentro do sistema financeiro, o que
possibilitava a movimentação bilionária de valores ilícitos sem fiscalização”, diz.