Empresas avançam na adaptação à reforma tributária, mas desafios
Por: Eduardo Cucolo
Fonte: Folha de S. Paulo
Os quatro primeiros meses de adaptação à reforma tributária mostram que as
empresas passaram da fase de apenas monitorar regras para focar em uma
atuação mais prática. Mas ainda há desafios.
Nem todos os contribuintes estão conseguindo cumprir as exigências de
destaque de informação dos novos tributos nas notas fiscais, e alguns municípios
estão atrasados na disponibilização dos documentos no novo formato.
Em conversa com o blog, Luciano Idésio, vice-presidente Latam para o segmento
corporativo da Thomson Reuters, e Edinilson Apolinário, diretor de tributos e
conteúdo e líder de reforma tributária da Thomson Reuters, falam sobre a
adaptação das empresas e sobre os desafios da reforma tributária.
Como foi a adaptação das empresas neste início de ano com as mudanças
nos documentos fiscais?
Luciano Idésio: Passamos pela entrada dos documentos eletrônicos, em janeiro
e fevereiro, que foram dois meses em que os clientes se adaptaram e aprenderam
o novo desenho. Conseguimos passar pela fase de adaptação com muita
proximidade com as empresas, para entender onde estavam os principais
desafios. Principalmente nos layouts dos documentos municipais, a NFS-e.
Conseguimos entregar o nosso primeiro módulo, de conciliação. A contabilização
a gente entrega em maio.
Edinilson Apolinário: No final do ano, montamos o esquadrão da reforma. Isso
ajudou as empresas a navegarem bem nesse início de ano. Elas tiveram muitas
dúvidas. Foram muito bem na parte de documentos fiscais de mercadorias.
Conhecimento de transporte e NFC de varejo também. Eram documentos mais
maduros. Os municípios estão tendo desafios. Muitos deles não definiram se vão
para o modelo nacional ou se vão adotar o local. Muitos municípios deixaram a
versão antiga e a nova funcionando. Isso permitiu que não tivesse travamento de
emissão. Foi positivo.
Pode explicar um pouco mais sobre os novos módulos?
Idésio: Trabalhamos para conectar a jornada tributária de uma empresa. Temos
o motor de cálculo que busca determinar o tributo. Depois ele vem para os
documentos fiscais eletrônicos. São duas classes. Uma que é a emissão da nota
fiscal, você emite e faz o registro dela na Secretaria da Fazenda. Depois o
recebimento da nota fiscal, que é um outro processo. A reforma criou a
necessidade de mais um módulo, em que eu concilio tudo isso. Essa plataforma
de conciliação trabalha no nível do documento fiscal, ou seja, eu posso fazer a
auditoria do próprio documento. Isso evita erros, também facilita o trabalho do
gestor fiscal e de uma auditoria futura.
Edinilson: Tudo acontece agora em tempo real. Não basta receber uma préapuração,
preciso criticá-la. Para isso, preciso olhar as minhas transações no ERP,
nos sistemas internos, para saber se vou aceitar ou não aquela informação que o
fisco traz. Preciso fazer isso diariamente.
Vamos ter o sistema federal da CBS e um sistema separado do IBS. Quais as
dificuldades que isso traz?
Edinilson: O piloto da Receita Federal começou em julho do ano passado. Por
isso, todo o contexto hoje de apuração assistida é muito calcado naquilo que é a
visão da CBS. No caso do IBS, o piloto começou em janeiro. Preparamos a solução
para receber as informações ainda que sejam de sistemas diferentes. A
expectativa é que não tenha diferença estrutural. Trabalhamos com a arquitetura
de que a empresa ou o profissional vai ter a mesma tela do lado de cá.
Vocês trabalham com empresas de grande porte. Há preocupação de como
elas vão lidar com outros parceiros que não estão tão preparados?
Idésio: Fizemos com algumas empresas uma solução em que trabalhamos a
cadeia de fornecimento. Como os nossos produtos são feitos para grandes
empresas, a gente propôs para alguns clientes que têm alguma dificuldade na
cadeia para replicar a solução, e conseguimos viabilizar isso economicamente.
Qual é o momento que as empresas estão vivenciando na reforma e quais as
urgências neste momento?
Edinilson: O primeiro ponto é a mudança de chave. Saiu aquele pensamento de
monitorar regra. As legislações estão postas. Ficou muito claro o divisor de águas
para uma atuação mais prática, mais operacional, ligada a questões de sistemas,
de processo e tudo mais. As empresas já estão em outro patamar. Quem já se
preparou está olhando agora para soluções fiscais para ajudá-las a navegar nesse
modelo novo de apuração em tempo real. O segundo é um olhar estratégico,
avaliando, por exemplo, impacto em pricing, em contratos. Porque os contratos
que vencem agora, e são de médio e longo prazo, já precisam ser renovados com
o novo modelo.