11/02/2026

BRB cortará 60% do orçamento para patrocínios e estuda criar empresa à parte com o Flamengo

Por Daniel Weterman
Fonte: O Estadão
BRASÍLIA — O Banco de Brasília (BRB) vai reduzir seus patrocínios para menos
da metade em 2026, conforme plano traçado pela nova diretoria, que assumiu a
instituição após a crise com o Banco Master. A estimativa foi publicada no Diário
Oficial do Distrito Federal.
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O banco planeja gastar R$ 50 milhões com patrocínios neste ano. O valor
representa um corte de 60% no orçamento do ano passado, que foi de R$ 125,8
milhões. Como mostrou a Coluna do Estadão, o banco aumentou em 14 vezes
o gasto durante a gestão do governador do DF Ibaneis Rocha (MDB).
Procurado, o BRB afirmou que os cortes seguem “critérios técnicos e estratégicos,
observando princípios de economicidade, transparência e governança”. A
instituição disse que o compromisso é concentrar investimentos em Brasília.
“Todos os contratos vigentes estão sendo reavaliados de forma criteriosa para
garantir aderência às prioridades institucionais e conformidade com normas e
boas práticas”, disse o banco.
Ao revisar os patrocínios, o BRB cancelou uma série de contratos que, segundo a
nova diretora, estavam na contramão das políticas estratégicas do banco. Um
deles, como o Estadão mostrou, era um patrocínio à equipe sul-americana
Mubadala Brazil SailGP Team, de barco à vela, no valor de R$ 26 milhões para
as temporadas 2025 a 2027, na liga SailGP.
Outro patrocínio que passa por revisão é com o Flamengo, que consome R$ 32
milhões por ano. O BRB estuda lançar uma empresa à parte com o clube para
impulsionar o cartão digital Nação BRB Fla. Essa empresa não estaria dentro do
banco, mas se sustentaria por conta própria e contrataria executivos para
executar um plano de negócios.
O banco estatal tenta recompor seu capital, recuperar liquidez e “limpar” sua
imagem após as negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro, que deixaram um
rombo ainda não calculado na instituição. O BC calcula que o prejuízo seja de
R$ 5 bilhões.
Em entrevista ao Estadão, o novo presidente do BRB, Nelson Antônio de
Souza, afirmou que o banco dará “um passo atrás” e voltará a ser um banco
regional de desenvolvimento após a crise do Master. Além disso, ele enfatizou
que o BRB não será privatizado nem federalizado sob a presidência dele.
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Na semana passada, a instituição apresentou um plano de capitalização ao
Banco Central, que inclui um aporte do governo do Distrito Federal no caixa do
BRB.
O dinheiro poderá ser levantamento por meio de um fundo imobiliário com
imóveis públicos, empréstimo junto ao Fundo Garantir de Crédito (FGC) ou com
um consórcio de bancos e dinheiro direto do orçamento do DF.
O BRB vendeu R$ 5 bilhões em carteiras próprias para estancar a crise de
liquidez provocada pelo caso Master e tenta revender o que comprou de Daniel
Vorcaro para bancos privados. O banco quer mostrar todos os números e
comunicar como pretende se recuperar até o dia 31 de março, quando divulga o
balanço financeiro de 2025.
O BRB vive uma crise de confiança desde a liquidação do Master e a descoberta
de queo banco estatal comprou R$ 12,2 bilhões de créditos inexistentes da
instituição de Daniel Vorcaro. O banco público também tentou comprar um
pedaço da instituição, em proposta feita no dia 28 de março de 2025, mas teve o
pedido negado pelo Banco Central em setembro do mesmo ano.