Oriz estreia em ativos judiciais com precatório federal
Por: Adriana Cotias
Fonte: Valor Econômico
Os fundos que compram precatórios federais, estaduais e municipais se
popularizaram no Brasil nos últimos anos, mas foi primeiro nas gestoras de
patrimônio que eles ganharam o apreço de famílias endinheiradas, por
oferecerem uma alternativa de risco e retorno bem mensurável.
Uma das novatas no setor é a Oriz Partners. A unidade de ativos judiciais foi
uma das últimas verticais estruturadas pela butique de investimentos, que tem
cerca de R$ 3 bilhões no seu braço de gestão de recursos.
A casa vai fechar 2024 com uma carteira com cerca de R$ 100 milhões e
pretende encerrar o ano que vem com R$ 500 milhões. A área, sob a liderança
de Khalil Kaddissi, foi criada para dar acesso a seus investidores a teses que
normalmente os bancos fazem de forma proprietária, diz José Scheliga, sócio e
executivo-chefe (CEO) da Oriz.
A primeira estratégia dessa empreitada foi a de precatórios federais, estruturada
como um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) de cota única.
Mas o plano é avançar pelos estaduais e municipais e em operações trabalhistas.
“Normalmente, os fundos [estruturados] têm um leque grande, com ‘legal
claims’ [litígios], ‘NPL distressed’ [créditos estressados], ‘corporate distressed’
[de empresas em dificuldades]. Aqui, a ideia é lançar produtos para teses
específicas”, diz Kaddissi.
O batizado Oriz Jus I FIDC tem como alvo precatórios federais pulverizados
de varejo, que serão pagos em 2025 e 2026 para não correr o risco de troca do
governo, diz o executivo. O portfólio tem prazo total de cinco anos, sendo dois
para o investimento e três para a saída. “Tem fundo com prazo de sete, oito
anos, prorrogáveis por mais dois. Dez anos é muito tempo para o risco jurídico
brasileiro”, diz Kaddissi.
Rodando desde março, o portfólio da Oriz mostra um retorno equivalente a
220% do CDI até aqui. Em vez de buscar causas grandes, da ordem de R$ 20
milhões, a opção é encarteirar as menores, com 100 a 200 créditos, porque se
houver problema em algum deles, não vai afetar a rentabilidade da carteira, diz
Kaddissi. A originação vem por meio de uma parceria com a Preks Precatórios,
startup que atua nesse nicho.
O fato de ter uma única cota significa que não haverá a disparidade de
rentabilidade comum em carteiras com cotas subordinadas, que absorvem
eventual inadimplência, e seniores, vendidas aos investidores. Em geral, a sênior
fica com a parte incontroversa e por isso o retorno é menor, diz Scheliga. Nos
precatórios federais, ele afirma não ter essa necessidade. “Alguns usam para
alavancar o retorno de bancos e acionistas.” O alvo é uma taxa de retorno total
de 27% ao ano.
Já no fundo para passivos trabalhistas, um tipo de ativo considerado mais
arriscado, a meta vai ser proporcionar um adicional de 6% sobre o CDI para os
cotistas seniores, com a Oriz e outros investidores ficando com o excedente nas
subordinadas, mas “não dá para saber qual vai ser”, diz Scheliga. A transação
que vai compor a carteira, de R$ 30 milhões, está em fase de execução.
Outras linhas que a Oriz pretende desenvolver são a corporativa, para aquisição
de passivos que possam melhorar o perfil do endividamento das companhias,
além de relações de consumo na esfera cível. Há operações boas envolvendo
devedores solventes, em fase avançada, diz Kaddissi.